15 de Novembro de 2022. Hoje somos 8 mil milhões
Quando Vasco da Gama chegou à Índia éramos uns míseros 500 milhões. Como somos 16 vezes mais em 500 anos? É obra laudável dos avanços tecnológicos, institucionais e sociais contra os quatro inimigos da Humanidade: Fome, Guerra, Peste e Morte
À cabeça da Fome veio o desenvolvimento de fertilizantes nitrogenados, que aumentou em bastante a produção agrícola por área. Ironicamente foi no contexto da Grande Guerra que o grande salto técnico na produção de fertilizantes aconteceu. Não com o objectivo (único) de alimentar milhares de milhões, mas na produção de explosivos para matar o inimigo.
À cabeça da Guerra vieram instituições internacionais que primam pelo diálogo e direito internacional; e o comércio internacional que aprofunda as relações entre países e torna a cooperação mais vantajosa. Aqui a Humanidade pode arrojar que o seu maior feito é a União Europeia nascida do desejo de uma Paz Duradoura e de Cooperação entre Nações.
À cabeça da Peste veio uma nova medicina em que humores e miasma deram lugar a um universo microscópico. E daqui deu palco a antibióticos e ao saneamento básico. Um descoberto por obra do acaso, e a importância do outro foi resultado de um trabalho sistemático que durou uma vida.
À cabeça da Morte… a Morte é o resultado das outras três. Ao afastar Fome, Guerra e Peste, ganhámos qualidade de vida, vivemos mais e melhor.
Somos 8 mil milhões hoje porque aprendemos com os nossos antepassados tanto no que têm de melhor como de pior, e também temos a curiosidade de desbravar os mistérios deste Universo. E seguindo o exemplo de Vasco da Gama, que o desejo destas 8 mil milhões de almas seja que o próximo Grande Passo da Humanidade seja o de caminhar entre as estrelas, e deixar algo melhor para quem nos sucede.
O que ensina o latim...
"Quod non est in actis, non est in mundo" ("O que não está escrito, não existe")
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terça-feira, 15 de novembro de 2022
8 mil milhões
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J R
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
O Futuro da Energia
Publicada por
JDC
Terça-feira, dia 12 de Novembro, a International Energy Agency apresentou o World Energy Outlook, onde prevê que o consumo de energia a nível global aumentará cerca de um terço até 2035. Outros dados interessantes prendem-se com o facto de o crescimento das renováveis apontar para, nesse momento, uma "quota de mercado" de 25% (em 2012 era de 18%). Isto significa que o crescimento do consumo de energia não será baseado numa troca de combustíveis fósseis por fontes de energia "limpas", mas sim por um crescimento de ambas as fontes (como se pode constatar no gráfico abaixo).
Um caso que merece destaque é o Brasileiro, que se prevê triplicar a sua extracção de petróleo. No entanto, a previsão da sua estrutura de consumo energético aponta para a exportação de crude, já que o seu consumo não deverá ultrapassar os 20% do total (comparando com os cerca de 55-60% a nível global). A sua grande fatia de energia disponível para consumo deverá ser produzida por via hidroeléctrica (cerca de 60% do total), enquanto a energia nuclear ocupará um lugar residual (globalmente será cerca de 5-10% da energia disponível).
Fonte: The Economist
Não me parece muito difícil prever que o grande crescimento económico mundial até 2035 estará dividido entre China e Índia. Assim, e olhando para o gráfico acima, verificamos que o crescimento do consumo de energia está eminentemente associado ao crescimento económico, já que se prevê que a esmagadora maioria do aumento da procura de energia seja dividida entre os países não-membros da OCDE, de onde se destacam os Asiáticos (China e Índia). Aliás, a previsão aponta para que em 2035, a China consuma tanta energia como a Europa e os EUA juntos.
Portanto, somando tudo isto, o que parece simples de concluir é que:
1) O desenvolvimento de energias renováveis não se apresenta rápido o suficiente para contrariar a pressão sobre os combustíveis fósseis (com todos os efeitos que isso acarreta).
2) O preço do petróleo continuará a aumentar, pelo motivo apresentado em 1.
3) Não me parece difícil acreditar que o Brasil irá constituir um fundo soberano com as receitas das exportações petrolíferas (mas que não o investirá, à la Angolana, em Portugal).
4) Ao mesmo tempo de 3 (ou um pouco antes), Portugal continua a ter oportunidades de negócio no Brasil, e pode mesmo perfilar-se como um parceiro vital no desenvolvimento Brasileiro. Para tal, basta ver que já existem construtoras nacionais envolvidas em projectos de barragens, depois virão os empreendimentos, ...
5) Para uma economia como a Portuguesa, que desespera por uma oportunidade, parece-me óbvio que o sector das renováveis é uma excelente ideia. Por um lado, inovamos e exportamos inovação, por outro, reduzimos a dependência de combustíveis fósseis, cujo preço tenderá a crescer.
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
Microeconomias da Agricultura
Publicada por
JDC
Após regressar de férias, e aproveitando a toada do meu colega J Ruivo, vou-me dedicar um pouco à temática da Agricultura. Ao fim de um mês (o de Agosto) em plena Região Demarcada do Douro, ouvindo conversas, debates e observando realidades, decidi aprofundar alguns dos temas que ouvi serem debatidos, dando-lhes a abordagem económica que já é característica do Tricontraditorium.
Assim, vou começar por fazer um "acrescento" a uma das publicações do meu companheiro J Ruivo no passado mês de Agosto. Resumindo a uma palavra, Microeconomia. Isto não quer dizer que a sua análise Macroeconómica do sector primário esteja errada, bem pelo contrário, mas sim que as coisas não são tão lineares como ele as fez parecer.
Em primeiro lugar, olhar apenas para o VAB como um todo não chega. Apesar de este expressar a competitividade de um sector de actividade como um todo, não representa a competitividade das empresas que o compõem. Assim, as empresas agrícolas podem tentar explorar Economias de Escala resultantes de aumentos na área das explorações (principalmente se se tratar de explorações contíguas - daí o incentivo ao emparcelamento), em que se reduzem custos de transportes/deslocações (no caso do emparcelamento), de consumíveis (adubos, herbicidas, tratamentos, ...) e de oportunidade (tempo gasto se a exploração não ocupar todo um dia de trabalho, mas o que sobra não é suficiente para tratar outra exploração) [Nota: estes são exemplos que me surgiram, mas que não me parecem muito difíceis de compreender e aceitar].
Também as Economias de Gama tomam parte relevante neste plano. A utilização dos vastos sobrais alentejanos para pastoreio de gado, de históricas herdades para agro-turismo, etc etc etc, é a forma mais simples de retirar "todos os ovos do mesmo cesto" e diversificar a actividade das empresas do sector, reduzindo o risco operacional de cada uma.
Paralelamente, o potencial de campanhas de Marketing e Publicidade (principalmente para o mercado externo) é cada vez maior. O crescente processo de globalização, a procura por produtos "verdes" (leia-se agricultura biológica) e a consciência da necessidade de sustentar os recursos naturais podem constituir oportunidades num sector inerte por natureza (e pelos custos - leia-se preço - da inovação).
Assim, o único ponto que falta tratar é a Remuneração Base Média. Não podemos olhar para o que as pessoas ganham sem ver quanto custa viver em cada zona do país nem onde se encontra a predominância do emprego no sector agrícola.
Fonte: INE [Nota: 1 é a média nacional]
Fonte: Pordata [Nota: valores em percentagem]
Aparentemente o Ruivo tem razão. As regiões onde se registam maiores percentagens de emprego agrícola (Alentejo e Açores) são as que se encontram acima da média nacional no que respeita ao IPC (Índice de Preços no Consumidor). Confesso que estes resultados me causam estranheza, quando pensei nesta publicação pensava que o IPC me ia dar razão e que a Remuneração Média no sector Primário ia ser compensada por um nível de preços mais baixo. No entanto, guardo uma ressalva para a utilização das NUTS II como referência geográfica, já que, por exemplo, o Norte contempla realidades bastantes contrastantes do Litoral para o Interior. O mesmo ocorre com o Alentejo, onde o Interior é muito mais virado para a actividade agrícola que o Litoral, que já contempla uma actividade turística (sector terciário) bastante considerável (basta pensar na extensão de toda a Costa Vicentina).
Assim, corrobora-se que "a Agricultura não é o El Dourado de Portugal". No entanto, tem potencialidades que (ainda) se podem ter em conta aquando da decisão de investir.
Creio que com tudo isto, o sector agrícola fica com uma análise um pouco mais profunda e completa. No entanto, há ainda muito mais a dizer sobre o futuro da Agricultura, mas fica para outra altura...
P.S.: Reparem lá na novidade do canto superior esquerdo...
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
O dilema das tecnologias limpas: verde-vermelho
Publicada por
Unknown
A questão da aposta em
tecnologias “verdes” e a penalização de indústrias poluentes tem que se lhe diga.
Se, por um lado, é adquirido que
mais cedo ou mais tarde os países terão de investir fortemente em energias
"limpas" (principalmente aqueles que melhores condições climáticas
têm para o fazer – como é exemplo o caso português), também me parece que essa
aposta não pode ser feita sem uma enérgica intervenção de subsídios
governamentais. A questão acaba por ser o velho dilema sacrificar o curto ou o
longo-prazo, já que o dinheiro não chega para tudo.
Em Portugal, o governo Sócrates
ensaiou esta “reforma energética”. A consequência foi a diminuição do
défice energético. Contudo, tal mudança reflectiu-se, não só ao nível orçamental
(dados os benefícios fiscais à aquisição de painéis fotovoltaicos e os elevados
investimentos em parques eólicos, por eg), bem como na factura mensal de
electricidade paga por todos nós.
![]() |
| Fonte: PORDATA |
Outro dilema que avassala os
governos prende-se com a penalização fiscal das indústrias mais poluentes. E
esse ponto é crítico quando pensamos nos efeitos perversos que uma política
desse tipo pode vir a ter para o sistema económico. Li, já não sei onde nem
quando, que se o mercado automóvel fosse taxado totalmente pelas externalidades
negativas que provoca ao meio ambiente, o preço dos veículos aumentaria 17
vezes. Tal medida (um imposto pigouviano) levaria à quase extinção da indústria
rodoviária e de outras com ela relacionadas (não apenas a compra e venda de
carros, mas também o mercado de combustíveis e os transportes rodoviários de
passageiros e mercadorias), com os naturais efeitos devastadores que isso
traria para o crescimento.
![]() |
| A introdução do imposto pigouviano levaria à quase extinção do mercado de compra e venda de carros |
Há, depois, outro aspecto que não
é de todo de ignorar e que explica o facto de serem os países
nórdicos aqueles que mais registam avanços neste campo: a aposta nestas
tecnologias está intimamente relacionada com a capacidade financeira dos
países. Daí serem vitais acordos internacionais que definam estratégias globais
(fortemente fiscalizadas e cumpridas por todos os países) de combate às
alterações climáticas, bem como regras claras para o mercado das emissões de
carbono, que permitam aos países mais frágeis não ficarem desprotegidos no
caminho do desenvolvimento.
A solução, como sempre, passa
pelo meio-termo. Os países mais avançados têm o dever de contribuir mais
fortemente para esse esforço, já que os sub-desenvolvidos e os "em vias de
sub-desenvolvimento" (como Portugal) enfrentam constrangimentos
orçamentais e neste momento têm outras prioridades.
E depois tudo depende da visão do
poder político, mais estratégica ou mais orientada para as eleições seguintes.
E essa é, no fundo, a velha história que distingue os visionários dos que não
vêm um boi à frente!
sábado, 24 de agosto de 2013
A agricultura não é o El Dorado de Portugal
Publicada por
J R
Eu gosto do campo. Ver algo a crescer à nossa frente dia após dia com a nossa ajuda é mágico.
Dito isto, não deixo a magia me tapar a vista para a realidade. No discurso público - com os empurrões do CDS e do PCP em particular -, a agricultura em Portugal é vista como o Sector Salvador da Pátria. Mas não se deixe enganar por um passado sem futuro.
Um dos problemas de Portugal não se deve ao facto de os portugueses trabalharem pouco, mas sim por trabalharem em actividades que são tipicamente de baixa produtividade - isto é, acrescentam pouco valor. E a agricultura e a pesca são dois desses sectores.
Olhando para o sector como um todo, e com os últimos dados que o INE disponibiliza,
| Fonte: INE - C.4.1 e C.1.1.2 |
Temos que, em média, desde 1995 o valor acrescentado bruto por cada trabalhador continuou inalterado nos 5.000€/ano. Por outro lado, o valor acrescentado por cada trabalhador na economia como um todo quase que duplicou entre 1995 e 2010.
Voltando-me para a notícia que me levou a escrever este artigo, louvo a criação de emprego e a contribuição para a correcção do défice externo. Contudo, sendo a agricultura um sector com baixa produtividade, será apenas natural esperar que gere empregos precários e com baixos salários.
Para confirmar este ponto, usei os Quadros de Pessoal de 2010, e vejo que a remuneração base média no sector agrícola é de 683,57€, enquanto que a média nacional é de 900,04€ - uma diferença de 32%.
E agora reparem que é neste sector que não cresce em termos de produtividade e de baixos salários que alguns partidos e portugueses vêem como o El Dorado português. Só posso supor que esta ladainha continua a vingar no discurso público, porque os portugueses não conhecem a realidade, e não a conhecem porque os comentadores não fazem questão de a divulgar. No fundo, imagino que as duas partes preferem a magia do campo ao realismo da vida.
Para terminar, só quero dizer que não tenho problemas que apostem na agricultura - é um sector com as suas oportunidades de negócio como qualquer outro. Mas oponho à atenção desproporcionada que recebe e à romantização do sector.
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