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"Quod non est in actis, non est in mundo" ("O que não está escrito, não existe")

domingo, 11 de agosto de 2013

O calcanhar de Aquiles do esperanto.

«Ao contrário de línguas como o hebreu, o filipino ou o suaíli, que floresceram depois de serem criadas ou recriadas, o “esperanto nunca foi capaz de se apoiar na estrutura oficial de um estado, apesar de duas resoluções das Nações Unidas a seu favor” (...) 

Apesar de concordar com a premissa de que a falta de um aparelho governamental para apoiar o ensino e promoção do esperanto limita o seu crescimento, esse não me parece ser o seu principalmente problema.

A língua é um elemento indissociável da nossa identidade cultural. E compreende-se facilmente porquê: é o nosso principal meio de imprescindível comunicação. E como o criador do esperanto, Ludwig Zamenhof, deve ter reparado, ao mesmo tempo que nos une enquanto sociedade é também o grande factor que distingue nós d'outros.

Ao procurar uma língua universal, ficamos com menos uma barreira que nos distingue. Mas há muitos edifícios construídos juntos a essa barreira. Há toda uma identidade associada a essa língua: uma história, um povo, uma terra, uma cultura. E isso é um motivo para aprendermos e apegar-nos a essa língua.

Ao esperanto faltam-lhe estes elementos. O esperanto é, em muitos sentidos, uma língua artificial e vazia. No seu objectivo de ser uma língua do mundo torna-se numa língua de ninguém. Não é atractivo aprender esta língua, apesar do seu objectivo nobre, e da sua possível utilidade no mundo dos negócios.

E por estes motivos, expressões que dão vida e a sua graça a uma língua não lhe surgem com facilidade. Expressões como "calcanhar de Aquiles".

4 comentários:

  1. J. Ruivo, Com todo o respeito, parece que V. simplesmente não conhece do que fala. O Esperanto é para ser segunda língua, nunca a primeira e, menos ainda, língua única.
    Pelo Esperanto, ou pela adoção do esperanto, ningém perde nada de sua origem étnico-cultural mas, pelo contrario, tem acesso fácil à todas as culturas.

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  2. Obrigado pelo comentário.

    De facto não sei do que falo, porque não falo esperanto.

    O que eu quero dizer é isto:
    O esperanto foi desenhada como uma língua auxiliar internacional. E «no seu objectivo de ser uma língua do mundo torna-se numa língua de ninguém.» Não pertence a ninguém, e portanto falta-lhe uma cultura viva que lhe dê o encanto que as outras línguas têm. É só.

    Mas agora que fala nisso, o que escrevi até dá a impressão de substituição... As minhas desculpas por isso.
    A parte da identidade tem a ver como o motivo para «aprendermos e apegar-nos a essa língua». Se calhar devia ter acrescentado que «e as línguas das culturas que nos apaixonam».

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  3. É como bem dizer "I like beaucoup de banana because n'a pas de caroço". No meio desta amálgama, o que se espera que floresça? Bananeiras nunca, de certo.

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  4. Olá, boa tarde! O Esperanto tem todos os edifícios que lhe diz faltarem: tem já uma rica história, tem uma terra (o planeta), tem o seu povo com a sua própria cultura. Esta cultura esperantista é bastante forte, diversa e identitária - não é uma mistura artificial das culturas dos vários povos do mundo. A língua é bastante rica, eu diria até surpreendentemente rica, e de modo algum vazia. Está apinhada de expressões de todo o tipo, várias vindo directamente das centenas de línguas maternas das pessoas que o falam, muitas outras únicas, originais e próprias à língua e a esta sua cultura. Por outro lado, o Esperanto tem por objectivo ser uma língua de todos e, digo-lho abertamente, é exactamente essa universalidade fraterna e inclusiva que sinto. Parece-me que a imersão neste mundo diferente do Esperanto lhe alteraria a grande maioria desses pontos de vista, que são naturais a quem está de fora e não possa compreender ou aceitar ser possível existir este fenómeno extraordinário que é o Esperanto. Com os meus melhores cumprimentos, Iuri Gaspar

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